1933 - 2008
Nelito não é um artista popular no sentido em que viemos trabalhando até agora no projeto da Sala do Artista Popular: basicamente autodidatas que desenvolveram sua técnica a partir de acasos, experiências e informações assistemáticas. Durante quatro anos Nelito freqüentou cursos na Escola de Belas artes, submetendo-se a um aprendizado formal, entrando em contato com os pintores célebres da história e as escolas e técnicas mais reconhecidas. Aprendizado que conciliava da melhor forma possível com seu trabalho de auxiliar de instrutor na cavalaria, onde ingressou rapaz e reformou-se por tempo de serviço. Cavalcanti (como é conhecido onde mora e como era chamado na cavalaria) nunca foi instrutor, cargo exclusivo da carreira de oficiais, mas era monitor de turma e desenhista dos murais usados na instrução. Sua familiaridade com a montaria e com o desenho são heranças do tempo de garoto, no interior de Alagoas. Naquela época e naquele sertão, carro era coisa rara, sendo o lombo de cavalo o meio de locomoção mais usado. Na escola cobria as páginas dos cadernos com desenhos, muitas vezes desatento às aulas, não tendo nunca se sobressaído como bom aluno. Morava em frente à estação de trens, onde ia diariamente com o pai que trabalhava na coletoria, sendo por esse alertado com veemência contra o perigo da locomotiva que chegava soltando fumaça e chupava as pessoas que se aproximassem demais, atraindo-as para si. Essa ilusão garantia que o garoto se mantivesse bem agarrado às calças do pai, apavorado diante daquele monstro barulhento e sugador de gente.Dentro dessa trajetória, Nelito, apesar de 'nunca ter sido bom na parte teórica', sempre se interessou especialmente pelas matérias que percebia que poderiam ajudá-lo em sua arte. Faleceu em 2008.










