Manoel Costa nasceu como pintor no batismo dos
igarapés do Pará, filho de pai canoeiro, criança de
olho nas paisagens e nos perigos da selva,
precocemente lançado na luta pela sobrevivência.
Como se ouvisse um canto de Mãe-D'água, o menino
Manoel sentiu acender-se no peito a paixão de
registrar em formas e cores os momentos mágicos da
natureza. Assim, a pintura entrou em sua vida: como
ritual de captura da beleza indizível, no magnetismo
da paisagem. Seu talento apurou-se no seu
autodidatismo, superando as limitações do seu
ambiente cultural. Premiado pelo governo do Amapá
com uma bolsa de estudos na Escola de Belas Artes do
Rio de Janeiro, Manoel Costa pôde finalmente
realizar sua vocação. Nem mesmo uma vitoriosa
passagem pelo mundo da publicidade o afastou da
arte. Ao longo do tempo, ele tem vivido a pintura
como incessante busca de sua própria verdade,
explorando linguagens diversas como abstracionismo,
um expressionismo que liberta a figura das
referências objetivas ou construção de uma estética
domesticada no desenho mas livre no jogo emotivo das
cores.
"Nas minhas primeiras paisagens, o que eu pretendia
não era passar para a tela um retrato imitativo do
real, mas sim fixar os momentos mágicos da natureza:
a luz enfeitiçante do poente, o onirismo de um dia
nublado, a doçura de águas paradas, a impetuosidade
da preamar. (maré alta) ou o aconchego da reponta
(maré vazante)."








