Um Borgerth, dois Borgerth, haverão mil e ainda faltarão. O artista (o que dirá sua obra !) tem tantas e recônditas facetas que jamais saberemos com quantos paus se fez a sua canoa. Este cidadão do mundo, meio carioca, algo inglês, mas sobretudo um flamengo, intuiu o declínio do medievalesco modernismo, abrindo alas para o renascimento pós-moderno. Atrevido? Ao primeiro olhar, talvez. Na seqüência nota-se porém em sua pintura a grande ciranda da celebração humana um hino à tolerância entre os homens, o grito da liberdade dentro do nosso tempo. O recado existe e nos diz que é melhor brindar enquanto ainda estamos vivos, pelo simples motivo de o estarmos. É isto que o diferencia de Hieronymus Bosch: este se preocupava com o céu e o inferno, Borgerth não se preocupa, pois não existem virtuosos sobre a terra. Para ele todos tem a sua tara e nenhum delito, cada qual que busque seu prazer e suas delícias. Não se afobem - gritam seus pequeninos - Carpe diem! Borgerth passou a semear realismos fantásticos através de seus personagens irônicos, sagazes, hiperativos e estes contos neocamponeses nos puseram em contato com novas metáforas já que todos líamos, sonhávamos e vivíamos outras imagens que não espelhavam apenas o minério e o coro dos anjos com seus altares dourados.Ele sabe como ninguém da tarefa vã de se aprisionar o inconsciente e rebelde submundo dos nossos desejos.

















