Em 36 anos de atividade como artista plástico, especialmente a partir da consolidação de uma identidade estética própria, no decorrer dos anos 80, Fernando Velloso sempre sentiu a necessidade de agregar ao suporte bidimensional da pintura os mais diversos materiais: pedaços de tecido, chapas enferrujadas, madeira, palha, folha de ouro... Com uma trajetória marcada pela construção de um vocabulário pautado na cultura popular, o fluxo constante dessa investigação foi conduzindo sua arte pictórica a adquirir contornos cada vez mais próximos da tridimensionalidade. Em 2002, quando, inspirado nos tapetes de retalho típicos do artesanato popular interiorano, passou a incorporar às suas obras pequenas tiras de alumínio que se projetam no espaço, esta tendência ganhou sua feição mais radical. Experiências recentes e, segundo ele, ainda embrionárias, com formas, digamos, 100% tridimensionais – relevos curvilíneos e esferas que aludiam ao mito de Sísifo, condenado pelos deuses do Olimpo a passar a eternidade empurrando uma grande pedra até o cume de uma montanha, de onde ela voltava a rolar ao sopé – , tiveram conseqüência direta na exposição que o artista apresenta de 19 de setembro a 20 de outubro na Galeria ARTE EM DOBRO (com inauguração na terça, dia 18/9, a partir das 19h). Antes contidas em campos geométricos marcadamente retitíneos, as superfícies matéricas que compõem seus quadros-objeto ganham, pela primeira vez, formas circulares.








